A Mesa de Som - Parte VI



Ilustração de auxiliares Pré-Fader

Vamos a uma ilustração prática dos auxiliares pré-fader em sistemas de retorno:

Numa banda composta por:

ligados respectivamente nos canais de 1 a 9 de um mesa (vamos deixar a bateria sem mic por hoje) temos 4 sistemas de retorno dispostos assim:
O primeiro passo é calibrar o ganho de cada canal conforme expliquei no artigo "O Controle de ganho - e a importância de seu ajuste".

Atenção: Uma das razões da importância deste ajuste ser feito corretamente, com os músicos cantando ou tocando na mesma intensidade em que irão se apresentar (ou levando-se em conta que irão tocar com maior intensidade durante as apresentações), é para que durante as apresentações você não tenha que ficar corrigindo o ganho do canal que mesmo nos auxiliares pré-fader acaba alterando a intensidade daquela voz ou instrumento em todos os sistemas de retornos aos quais ele é enviado!

Feito isto, vamos trabalhar primeiramente nos knobs do Auxiliar 1 que irão compor o mix que será enviado para o sistema de retorno do Líder de louvor.

Começando pelo canal 1, que é o da sua voz, abrimos o knob Auxiliar 1 deste canal para enviar a voz de volta ao palco.

Nos canais 2 a 5 podemos abrir um pouco os knobs Auxiliar 1 para que ele ouça as vozes dos backs em intensidade inferior à voz dele para não atrapalhar a sua percepção de sua própria voz.

Como este camarada é, também, quem toca o violão vamos abrir o Auxiliar 1 para que ele possa ouvir o som do seu instrumento.

Após isto ele pode desejar incluir, ou não, outros instrumentos. O teclado provavelmente será interessante, portanto abra o Auxiliar 1 no canal do teclado na proporção que ele desejar.

Obs.: O equilíbrio entre estes componentes do mix, ou desequilíbrio, que forem pedidos irão depender de MUITAS variáveis das quais vou dar apenas uma pincelada em 3 aqui, visto este artigo ainda estar dentro da análise da arquitetura interna da mesa de som

a. Arranjos musicais, se em determinados momentos ele irá tocar violão num duo ou contraponto, ele talvez vá querer ouvir mais da guitarra para poder acompanhar e não atropelar o guitarrista.

b. Eu disse talvez no item acima pois se houver amplificadores de palco (os chamados cubos) é possível que o guitarrista esteja com o nível do seu cubo alto demais (até para a congregação) sendo obviamente desnecessário que seja colocado na caixa de retorno.

c. O ambiente acústico do palco. Este exerce uma enorme influência naquilo que se ouve tanto no palco quanto naquilo que é produzido do palco e refletido para cima da congregação - as vezes em níveis iguais ou até mesmo superiores àqueles que seriam ideais para as caixas de PA!

Enfim cada sistema de retorno acabará tendo um mix composto pelas necessidades e preferências do/s músico/s a quem serve e cabe a você, como operador, compreender o que cada músico quer e precisa no palco - além de saber o que você pode lhes dar sem que isto estrague o som para a congregação que é afinal de contas a razão de tanto você quanto eles estarem ali...

Após este comentário sucinto das características de um sistema de retorno creio que dá para perceber que elas serão diferentes para cada um dos músicos no palco dependendo, ainda, das variáveis acima e outras. Vale o bom senso - e isto de modo prioritário no contexto igreja! Porque, salvo para aquelas privilegiadas em poderem oferecer um mix de fones de ouvido ou pontos intra-auriculares para cada uma dos músicos, o que tem que prevalecer nos ambientes para haver um som de qualidade é isto mesmo: o bom senso e a disposição de servir e não ser servido. Com certeza teremos mais a respeito do tema retornos em artigos futuros.

Portanto a aplicação principal dos auxiliares pré-fader é nos sistemas de retorno porém sua utilidade se estende a quaisquer outras aplicações em que seja necessário um mix que não varie com a posição dos faders dos canais.

Quanto aos auxiliares pós-fader, estes nos são interessantes quando apenas queremos que seu sinal apareça juntamente com o sinal no PA e em intensidade proporcional a este no mix, ou seja, proporcionalmente à abertura do fader do canal. Em função disto sua principal aplicação é destinada aos módulos de efeitos. Imagine o caso de um microfone sendo enviado a um módulo de efeitos para reverberação. Só iremos querer que a reverberação esteja presente em nosso mix quando a pessoa estiver cantando ou o instrumento tocando. Caso contrário (e o efeito estiver ligado em pré fader, comentários entre os backs quando não estão cantando fariam o módulo enviar à mesa um sinal que sujaria o som por não ter nada a ver com a música. Do mesmo modo, o mic de um sax captando reflexões das caixas de retornos ou de outros instrumentos no palco poderia sujar o mix principal se o módulo os recebesse. Portanto para módulos de efeitos iremos sempre querer um auxiliar pós-fader.

David B. Distler

Com cerca de 25 anos de experiência, David, é consultor associado à Audio Engineering Society. David projeta sistemas de som, sonoriza eventos e tem ministrado cursos para centenas de operadores de som e músicos.

     


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